quinta-feira, 21 de agosto de 2008

BATISMO DE CRIANÇAS - BATIZADO - INFANTO - PODEMOS OU NÃO BATIZAR CRIANÇAS?


Algumas Considerações Sobre Batismo de Crianças

Introdução: Este é um assunto relativamente simples. Entretanto, como sempre surgem interpretações diferentes de quase todos os temas abordados pela Bíblia, não é diferente com o batismo.

Há quem defenda o batismo somente depois dos 12 anos, uma vez que, na comunidade de Israel somente nesta idade os meninos eram arrolados como homens e como responsáveis por seus atos.

Outros insistem que a circuncisão foi substituída pelo batismo uma vez que este é marca e sinal da nova comunidade, assim como aquele era sinal de descendência de Abraão.

Ainda outros pensam em que seja a porta de entrada para a igreja e que, caso aconteça de morrer alguém sem ele, fatalmente perderá o direito de entrada no Reino de Deus.

Vamos fazer algumas considerações:

1. Uma criança não será impedida de ir a Jesus por não ter sido batizada. As crianças, cujas mães as levaram a Jesus, o fizeram, não para que fossem batizadas, mas para que impusesse as mãos e as abençoasse. O caminho até Jesus não é o batismo; é a fé genuína, fruto de uma boa evangelização. Se alguém negligenciar a evangelização das crianças, estará negligenciando sua ida ao Senhor. Não há um só texto da Bíblia que afirme ou insinue que o batismo conduz a Cristo.

2. O batismo não gera fé nem salvação. É uma materialização de pelo menos duas verdades espirituais: 1- Para nascer de novo é necessário antes morrer. Quem morre deve ser sepultado. O batismo é figura desse sepultamento com Cristo (Rom. 6). É como afirmamos: morremos para o pecado e ressuscitamos para a nova vida com Cristo. 2- A lavagem regeneradora do Espírito Santo (no momento da fé) deve ser representada, materializada pela lavagem da água. É símbolo de purificação, da purificação operada pelo Espírito Santo no momento da conversão. Um texto negligenciado sobre essa figura do batismo é Jo. 3.25 e ss. O contexto esclarece que a questão em debate é o batismo. Então está acertado que para os antigos, o batismo simbolizava a purificação dos pecados. É provável que desta figura Paulo tenha extraído o ensino de Tito 3.5. Parece-nos que esta figura é mais antiga que a do sepultamento.

3. Afirmar que havia crianças nos lares das famílias que se converteram (quando se usa a expressão: "Ele e a sua casa") é falta de cuidado. Há muitas casas nas quais não há mais crianças. Quem pode afirmar que esse não era também o caso nos relatos bíblicos? Afinal, a casa toda "creu". A probabilidade de todos nessas “casas” já serem adultos, ou jovens e adultos é grande. Há muitos casos em que crianças se decidem na idade de 3 anos, e a decisão é sincera. Essas crianças chegam a ser batizadas com 10 anos ou mais. Por terem esperado esse tempo não foram impedidos de estarem com Jesus. O Batismo não pode ser o elemento que sustente a fé de um cristão. A fé salvadora independe do batismo. Elas permanecem em presença do Senhor independente do batismo.

4. Sobre a idade certa para o batismo, a Bíblia nada fala, nem estabelece limites, nem para baixo nem para cima. A única exigência é arrependimento e fé genuínos. Há muitos líderes cristãos que não vêem problemas em batizar meninos e meninas com 8 anos, p. ex. Quem de nós pode negar que a certeza do que se está fazendo pode vir com uma idade maior?

5. Sobre o batismo no ato da fé, confesso que sou adepto dessa idéia. Mas, evangelizar pessoas "cristãs" para que se tornem "cristãs" não é coisa a que se assemelhe à evangelização nos tempos dos apóstolos (e mesmo séculos depois). Temos que admitir que estamos numa realidade um pouco diferente. Mas se alguém preferir batizar logo em seguida à decisão, não erra nesse proceder. Infelizmente tenho testemunhos não louváveis sobre resultados de batismos apressados. Já que a salvação não depende disso, é mais prudente dar ao convertido tempo para entender o “novo” batismo e submeter-se com entendimento e alegria. Já que não há um mandamento explícito sobre a questão do tempo e da idade, nos parece que o Espírito Santo deixou isso para a igreja administrar como achar melhor e mais viável em cada situação geográfica e cronológica. É o mesmo princípio para a periodicidade da Ceia do Senhor. Não há um tempo determinado pela Escritura. A Igreja faz como preferir. E nisso não há erro.

6. A circuncisão em nenhum texto do NT é substituída pelo batismo. Ela simplesmente perde seu significado quando o Evangelho se abre para o mundo. Israel perde o privilégio de ser a única nação com quem Deus se relaciona e com ele a circuncisão. Além disso, ela era apenas para os meninos, enquanto o batismo é para ambos os sexos. Sobre tudo isto está a verdade bíblica da conversão, do arrependimento e fé como condições para o batismo. O NT desconhece batismo sem arrependimento e sem fé, o que não acontecia com a circuncisão.

7. Sobre a forma do batismo as dúvidas desaparecem quando é feita uma boa análise do original grego, afinal esta é a língua do NT. A expressão 'Batismo' vem do grego 'baptismos' e significa literalmente 'ato de aprofundar'. Vejamos: Os navios são equipados com um instrumento chamado 'Batímetro'. Esta palavra é grega e vem de duas expressões: 'Bapt' (profundo) + 'metros' (medida). Assim, 'batímetro' é aparelho de medir profundidade. É a mesma raiz da palavra 'baptismos'. O Batismo nunca foi pensado em aspersão. Aspersão é aspersão e batismo é batismo. São atos diferentes. Batismo no NT sempre foi 'mergulho', 'aprofundamento', 'imersão'. E não podia ser diferente devido ao simbolismo, à idéia que representa, como vimos acima. As referências ao ato no NT confirmam: João Batista batizava no Rio Jordão, não por ser um rio sagrado (realmente não é), mas por ter água em abundância. Veja a observação em Jo. 3.23. No batismo de Jesus, se diz que ele saiu da água. Fica claro que teve que entrar antes. Outro bom exemplo é o de Filipe com o etíope em Atos 8. Esse homem era rico e estava em carruagem. Certamente, como era de costume, carregava água para si e para os cavalos beberem no deserto que atravessaria. Então havia água para 'aspersão'. Mas quando ele viu um "pé de água", entendeu que o local era adequado. Novamente o texto diz que esse etíope 'saiu da água'. É muito duro torcer textos e palavras da Bíblia para se adaptarem à forma de pensamento. Isso é desonesto e pecaminoso.

Conclusão: Todo estudioso da Escritura deve ser cuidadoso para não querer encontrar nela o que ela não pretende dar. Desejar ajustar textos à forma de pensamento é andar na contramão. O correto é fazer o pensamento se adequar aos ensinamentos Bíblicos. Foi isso que Paulo desejava expressar com a declaração "Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo." (II Cor. 10:5).

Pr. Carmo R Zortéa

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